Em 1956, é montada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro a peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes. Além de ser a primeira vez que um negro pisava o palco do Teatro Municipal, a peça levou a uma sucessão de acontecimentos que mudaram a história da música brasileira. Entre eles, o início da parceria entre Tom Jobim e Vinicius, pois foi buscando um compositor para musicar sua obra que o poeta foi apresentado ao jovem maestro.
Em 1958, o texto de Vinicius virou filme, numa produção franco-ítalo-brasileira, com o nome Orfeu do Carnaval. O produtor da película, Sacha Gordine, exigiu que a partitura original da peça incluísse canções inéditas. Foi aí que Luiz Bonfá e Antônio Maria compuseram o sensacional samba Manhã de Carnaval.
Dizem que Manhã de Carnaval chegou a ser recusada inicialmente, obrigando Bonfá a criar uma nova versão. Mas o compositor insistiu e conseguiu mantê-la na trilha. Alguns meses depois, Manhã de Carnaval já era a segunda música mais gravada no mundo.
Manhã de Carnaval se tornou um dos temas brasileiros preferidos na área do jazz, com dezenas de versões gravadas por grandes músicos do gênero. A canção ajudou a estabelecer o movimento da Bossa Nova no final da década de 50. Existem também outras versões da música com letra adaptada para o inglês, mas a versão mais popular, até mesmo no exterior, ainda é a de nome e letra em português.
Aqui, Manhã de Carnaval numa das versões que mais gosto, na voz de Nara Leão. E, por sinal, foi junto com o seu pai, o arquiteto Carlos Leão, que Vinicius começou a escrever a peça.
A Felicidade é de autoria do Tom e do Vinicius e não do Bonfá e do Antonio Maria, como sugere o texto.